26 setembro 2008



GABEIRA por Nelson Motta

UTOPIA CARIOCA

RIO DE JANEIRO - Sempre que vejo na televisão a propaganda do TSE mandando a gente ficar de olho nos nossos eleitos, sinto um certo constrangimento e uma sensação de ridículo institucional. Mas também um estranho orgulho e um vago sabor de superioridade: há várias eleições voto no deputado Fernando Gabeira e nunca me decepcionei com seus votos, atitudes e atuação política, mesmo quando, às vezes, discordo de seus pontos de vista. Sua honestidade e inteligência são inquestionáveis.

É uma felicidade democrática ter alguém que realmente representa no Congresso o que você pensa e acredita. Isto também é quase ridículo, porque é uma exceção do que deveria ser a norma, como é em países civilizados. Mas fiquei ainda mais orgulhoso agora que ele impôs suas condições para ser o candidato da frente PV-PSDB-PPS à prefeitura do Rio de Janeiro.

Não pediu poderes ilimitados, nem caminhões de dinheiro, nem submissão dos partidos à sua vontade: exigiu uma campanha limpa, sem ataques pessoais, propositiva; divulgação pela Internet dos fundos e despesas da campanha, e o principal: caso eleito, que o secretariado seja escolhido por méritos e critérios profissionais e não partidários, sem o habitual loteamento como moeda de troca por apoio político. Ele não acha que só porque 'todos' fazem errado ele deve fazer também. É quase uma utopia. Mas se é a realidade em países civilizados, por que não, um dia, no Brasil?

Conhecido por sua trajetória dedicada aos direitos humanos, à ecologia, saúde, educação e cultura, com reconhecida capacidade de diálogo democrático e tolerância, sem concessões à ladroagem e à política-como- ela-é, o que ele propõe é o óbvio. Mas parece um sonho quase impossível.

O Rio de Janeiro merece esta esperança!

Nelson Motta


23 setembro 2008


UMA DÚVIDA

Estava ouvindo o Bob Marley cantar “Redemption Song” e fiquei em dúvida se estava muito contente ou deprimido. Deve parecer meio bobo, assim, a primeira vista. E deve ser meio bobo mesmo.

Na verdade eu estava vendo o filme do Will Smith com a Alice Braga - “Eu sou a Lenda” – e até gostando do filme. Pois é, o personagem dele fala muito do Bob Marley. Durante o filme o Will dá mais valor a “Tree Litle Birds”, mas, nos créditos, toca “Redemption Song” e eu entrei nessa dúvida.

É só isso, não há muito pra onde concluir, é apenas uma dúvida. É estranho pensar nisso, mas felicidade e tristeza se parecem...

Redemption SONG


15 setembro 2008


UM AFRONTE
o certo é "uma afronta" mas ontem foi afronte
.
Pedi pra dançar com ela depois de dançar com varias que se saiam bem melhor, o que pouco importa! Ela era um afronte! Que loucura, essa mulher! Dançava dura, mas dançava tanto que dançava bem! Não dançava tanto, mas eu senti como se fosse muito. Ela quase havia recusado o meu convite, eu inclusive aceitei sem choro, mas terminou por não resistir, sorrir no final, e ainda pedir bis! Bom, se eu já tinha experimentado sensações mirabolantes na primeira valsa, na segunda eu sumi. Não sumi sozinho, ela veio comigo – de vez em quando esbarrávamos em algum casal e voltava a lembrança de um salão lotado, mas, com paciência, ele acabava sumindo de novo e mais uma vez podia-se escutar o som da valsa. Ela dançava tensa, exigindo do meu braço direito uma precisão muito esquisita e, sem querer, contribuindo muito e deixando a dança fluir. Na segunda vez dancei como se ela fosse minha. E mesmo sabendo que poderiam me desmentir, diria que senti como se ela desejasse que eu fosse dela. Aquele afronte! Definitivamente, uma valsa inesquecível...

ARRUMAÇÃO DA CASA DE Friburgo



Por Pedro Thomé e Lourenço Monte-Mor

09 setembro 2008


A MOÇA

Não tem nada o que falar
Mas mesmo assim a moça fala
E aí fica muito estranho
Quem não tem nada pra dizer se cala

Não diz coisa com coisa
Fica mal, desajeitada
Seria bom ficar calada
Mas do nada a doida fala

Valeria ficar quieta
Mesmo assim, insiste e fala
Não precisava dizer nada
Mas a boca dela não pára