16 outubro 2008


DE braguilha aberta ele foi caminhando

De braguilha aberta,
Ele foi caminhando sem pensar aonde ia.

Pensou sobre o tempo,
Pensou sobre as cores,
Pensou que o que vai vem
E que seu pai estava errado.
Assumiu seus amores
E seguiu pela areia deserta,
De braguilha aberta.

Ele foi caminhando sem saber aonde ia,
Mas parou pro que vinha.

Na praia sozinha
Surgiu uma moça,
De vestido curto e frágil,
Atrasada pra fazer o penteado.
Se chamava Karina
E foi-se embora voando,
E o menino olhando.

De braguilha aberta,
Não reparou se a menina desapareceria.

Reparou que era outra,
Mais bonita, que vinha.
Uma bem mais simpática,
Com calor de vizinha.
Essa não foi-se embora,
Ficou pra falar do mar
E pra, quem sabe, tentar avisar.

Então, ficou parado pra pensar aonde ia,
Mas não sabia se queria.

Deslumbrado com a loira
Esqueceu da mulata,
Porque a loira era alta
E pestanejava falar.
Desejava escutar
Sem saber o que vinha,
A voz dela era tão bonitinha.

De braguilha ainda aberta,
Pediu um beijo pra ver se a menina daria.

O beijo foi dado
Com imenso cuidado,
Provocou sussurrinhos
E ainda se ouviu um obrigado
Da menina Roberta,
Que não pretendia dizer nada
Além de avisar da braguilha aberta.

Com a calça lacrada,
Pediu e ganhou outro beijo e depois voltou pra casa.

3 comentários:

Karin disse...

escreve mais? não pára de escrever nunca. dá vontade de ler mais e mais e mais...

Andrè disse...

que delicia...

gduvivier disse...

É você! Puts que blog profissa! Fiquei até constrangido com a minha pobreza...
E o video é sensacional!