16 agosto 2008


NOSSO ENCONTRO

O rapaz entrou no bar, muito decidido. Ela já estava lá. Olá – disse ele antes de ouvir o – Senta aí, tudo bem? O clima, apesar de simpático, estava tenso. Os dois se olharam. Continuaram olhando. Olharam. Ela parou de olhar. Ele gelou. Ela notou. Silêncio. E aí, tudo bem – perguntou a menina com voz quase de resposta – o que de tão importante você tem pra dizer? Trêmulo da cintura pra baixo e gelado da cintura pra cima o garoto começou – Sabia que eu estou escrevendo poesia? Ela riu. Ele não gostou. Ela parou de rir. Ele riu. Ela perguntou por que ele tinha dito aquilo e ele disse que isso era importante, afinal, ele não escrevia poesias. O que você quer dizer – ela perguntou, doce, mas, também áspera – quer me mostrar? Ele disse – acho que não! A menina não compreendeu. Ele também não. Após não compreender mais um pouco, sabe-se lá o que, ele disse, lindamente “eu te amo”. Assim mesmo, entre aspas, e não depois de um travessão, foi um eu te amo lindo, que nenhum ser humano, nunca será capaz de dizer. Ela olhou para ele. Ele quis chorar, não se sabe se de alegria ou de ódio. Ela olhou mais um pouco e os dois continuaram se olhando. Ele chorou. Ela também.

3 comentários:

Leo Arnt disse...

mmmm... De onde veio isso?

Andrè disse...

Porra, isso é mais antigo que a flunflins...

Mariana Barcellos disse...

lindo